voz

E são raras as manhãs em que ela me acorda. Separo as pálpebras descrente de quem me chama, perplexidade admirada, ainda que à espera de alguma razão que explique o porquê de não ter despertado antes. Minha culpa apaixonada, tem café.

Poucas vezes me pego em dúvida, sei que gosta de mim. Ela me ama. Tenho certeza quando fala comigo na mesma voz com que ela fala com o cachorro.

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Pernas

 

(direita)

Papel pálido

procuro por pontos

permeios

 

(esquerda)

pisco pálpebras

podo plantas

predo presas

peco piamente

pelo poder possesso

peço:

Permaneças

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unhas

Não vou deixar a maldade do mundo me acometer

Passeio para lá e para cá,

por entre os ramos do estacionamento

elas bem me servem

de guia

horizonte

e ponto de chegada

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Braço

Se vejo só
me imagino
de braços dados
cristalinos
Seus pêlos fartos
meus infartos
matutinos
Sobe até o antebraço
anteontem
antefaço
me encanto
e disfarço
Depois das nove
chama de aventura
o que é frescura
de madame
Quanto mais te nego
mais me entrego
ao seu derrame
Inclina o braço,
implorando
carícia
toque sombrio
me transborda
de calafrio
e malícia

toque mais lento

chama de amizade

o que é vontade
há muito tempo

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Boca

Alvo prado

que me alimenta

de verde

dança

na minha língua

esperança

do convite

que toda vizinhança

deseja

Sempre que ri

me beija

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Coxa

limo acostumado

restrito

às claras carnes

ferventes

sob panos transparentes

em atrito.

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Olhos

Goteiras

percorrem

a gruta

do beco

que grita

e o eco

devolve

Escorrem

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